Privatização dos Mercados! Um risco para todos?

Modelo de privatização dos Mercados Municipais é preocupante

Conforme promessas de campanha, o prefeito João Dória está colocando em prática seu projeto de privatizações, entre eles, a desestatização de todos os Mercados Municipais e Sacolões de São Paulo.

Durante sua campanha em 2016, João Dória visitou os mercados e falou sobre a privatização:

“São 16 mercados na cidade de São Paulo. Eles serão muito valorizados. Terão uma administração diferenciada. Nós vamos fazer em regime de concessão para todos os mercados. E estamos convidando os permissionários para que eles possam se organizar, como cooperativa para que eles mesmos possam ser os administradores dos mercados municipais, melhorando a eficiência, o controle, a segurança, a limpeza, manutenção e a valorização dos mercados municipais, com o apoio da prefeitura de São Paulo”.

“Não cabe à prefeitura fazer a gestão de mercado municipal. Os próprios que lá estão podem fazer isso com mais eficiência, com menor custo e atendimento às reais necessidades para que aumente o volume de consumidores, aumente o resultado, aumente o número de empregos e de impostos também”

No entanto, a questão teve algumas mudanças que estão deixando os permissionários bem preocupados, já que a administração pode ser concedidas a outras empresas privadas e não exatamente para algumas associações que já administram os mercados há anos, conforme foi prometido pelo atual prefeito durante a campanha.

Hoje, os permissionários já pagam água, luz, esgoto. No caso do Mercado Municipal da Lapa, em 2015 houve uma grande reforma nos banheiros, nos telhados, a colocação de gerador, a repintura da fachada e ainda há empresas terceirizadas de limpeza e segurança, coleta seletiva de lixo, aulas de culinária, etc… Tudo isso com recursos próprios, sem qualquer apoio da prefeitura. O que mostra a total capacidade de administração por parte da Acomel (Associação dos Comerciantes do Mercado da Lapa), formada por permissionários que conhecem melhor do que ninguém as necessidades do local e com a vantagem de não querer lucrar com a gestão.

Logicamente há mercados municipais com problemas estruturais, isso ocorre pela falta de possibilidade de explorar recursos como estacionamento e mídias, por exemplo. Certamente, se a concessão for repassada a essas associações de permissionários que terão liberdade de gerir, os mercados sofrerão inúmeras melhorias sem perder suas principais características.

A questão mais preocupante é que neste modelo de privatização, não há garantias para os permissionários que já estão nos mercados há anos.

Qual seria o tamanho da injustiça em repassar a administração a uma empresa que, somente visando lucro, realocaria boxes, alugaria espaços para grandes empresas que engoliriam os pequenos comerciantes? E se o aluguel dos boxes aumentar a ponto de ter que reajustar os preços para se manter, neste caso, qual seria o tamanho da injustiça com os consumidores?

A justificativa da prefeitura para conceder a administração a empresas privadas é que os mercados estão em péssimas condições, o que é uma grande inverdade. O Mercado da Lapa, por exemplo, possui uma avaliação de 4,2 estrelas no Google baseado em 3.568 comentários de clientes, assim como grande parte dos outros mercados municipais, uma avaliação mais bem sucedida do que alguns dos grandes shoppings paulistas.

Mercado

Mercado da Lapa

Isso prova que as associações e os permissionários estão fazendo um grande trabalho, já que é de interesse de todos os comerciantes que o local esteja cada vez melhor para atrair mais clientes. No entanto, não adianta descaracterizar o modelo de mercado municipal tão conhecido e apreciado por tantos, isso o faria perder a identidade criada e mantida há anos.

mercados municipais

Esses mercados municipais carregam riqueza gastronômica, histórica e cultural

Os clientes dos mercados municipais os frequentam por suas iguarias, variedades de produtos, preços bons, atendimento pessoal, uma atmosfera nostálgica e charmosa, aonde ainda há a possibilidade de barganha, de experimentar sabores, cheiros, encontrar amigos, poder comer um bom pastel e tomar um caldo de cana. Tirar isso de São Paulo, que já tão impessoal e pouco divertida, seria no mínimo cruel.